
1 – TOMAR UM CAFEZINHO NO BALCÃO
A gente ama café e recebe de braços aberto novidades com laivos de baunilha ou musgo, próprias para degustação. Mas cafezinho tem de ser tomado em balcão de botequim, em xícaras de louça grossas como as do Lamas. Frescura é bom e a gente gosta – mas na hora do cafezinho, não. No máximo, um pingado com leite…
2 – TER UMA HISTÓRIA PESSOAL DE ASSALTO PRA CONTAR
Essa, lamentavelmente, é fácil. Vai do cordão de ouro arrancado do pescoço no ônibus ao seqüestro-relâmpago que aquela prima sua sofreu, passando pelo assalto no sinal, com arma de brinquedo (ou não…) na cabeça. Tem também roubo de relógio e de celular. Essas histórias, sejam numa festa, no trabalho ou no bar, têm audiência emocionante e profundamente respeitosa. Até alguém surgir com um caso mais cabeludo, é claro.
3 – ORGULHAR-SE DE TER SOBREVIVIDO A PELO MENOS DOIS DOS ITENS ABAIXO:
( ) A guerra na Rocinha em 2004
( ) As enchentes de 1966, 1988 e 1996
( ) O Rock In Rio I
( ) A final da Copa de 1950
( ) O massacre de Vigário Geral
( ) A chacina da Candelária
( ) A queda do Palace II
( ) O naufrágio do Bateau Mouche
( ) O incêndio do Edifício Andorinhas
( ) O fim da Colombo de Copacabana, o fechamento da Cavé e do Bar Simpatia, a demolição do Solar Monjope e do Palácio Monroe, a transformação do Pathé em Igreja Evangélica e a do Copacabana em Academia de Ginástica
4 – IR AO MARACANÃ
Arrastão, briga, flanelinha, calor senegalês: nada disso parece importar. Quando se trata do maior estádio de futebol do mundo, carioca de verdade deixa a razão de lado, segura na mão de Deus e vai – nem que seja uma vez só. A vibração da galera (descrita sempre como indescritível) transformou o Maracanã num ícone urbano. Mas atenção, só vale se for para ver futebol. Papai Noel, Madonna, Tina Turner, Papa e tais não contam.
5 – COMBINAR UM PROGRAMA SEM A MENOR INTENÇÃO DE CUMPRIR
Atire a primeira pedra quem nunca mandou um “vamos nos falar amanhã para marcar aquele jantar” ou um “Passa lá em casa para um café” sem estar exatamente torcendo pela concretização do programa. O pessoal de fora odeia – e até está certo. “A gente se vê”.
6 – VER UM SHOW NA PRAIA
É de graça, não tem muvuca (quer dizer, tem, mas ela se desfaz areia afora), a cerveja dos ambulantes é barata. Mas o cenário, lindo, lindo, é o que faz toda diferença.
7 – Passar horas na fila para comprar ingressos com antecedência para o “Festival do Rio”.
Parece coisa de paulista (ou mineiro, baiano, paraense, pernambucano… Gente que se programa com alguma antecedência, enfim). A diferença é que, mesmo depois do sufoco, o carioca pode desistir de ver o filme na hora: “Ah, fui à praia e acabou me batendo uma preguiça…”
8 – ESBARRAR EM UMA CELEBRIDADE E NEM LIGAR
O Rio em si é uma estrela que sempre atraiu estrelas. Por que, então, ficar todo serelepe quando o Chico Buarque adentra o restaurante? Ou a Malu Mader? Ou o Romário? Até porque nove entre dez celebridades nacionais vivem aqui. Ah, quem apenas finge que não está nem aí ainda tem muito chão a percorrer até atingir a genuína carioquice.
9 – FAZER O PEDIDO NO BAR LAGOA SEM PRECISAR OLHAR O CARDÁPIO
Carioca praticamente nasce conhecendo de cor o menu do Bar Lagoa. Sabe que o bife à milanesa e o salsichão com salada de batata são AS pedidas – e, no segundo caso, sabe que é mais pela salada de batata, cheia de mistérios em sua preparação.
10 – CONHECER ALGUÉM QUE ESTEVE NA FINAL DAS ELIMINATÓRIAS DA COPA DE 1970
Neste dia, o Maracanã bateu recorde de público, abrigando mais de 180 mil pessoas. As histórias são as mais escabrosas, gente espremida nas arquibancadas, túneis do estádio congestionados, calor insuportável… Mas dá uma inveja danada.
Origem: http://www.oseuguia.com.br/carioca.html











